Um excelente debate ocorrido em Roma (21.02.2000) entre o então cardeal Joseph Ratzinger (atual Papa Bento XVI) e o filósofo, jornalista e ateu Paolo Flores d’Arcais. Com a mediação do judeu Gad Lerner. Acreditar em Deus, fé, religião)
(Eu separo este trecho do debate , o qual o Cardeal Joseph Ratzinger, na minha pessoal opinião ! faz uma espetacular defesa do aborto)
Só gostaria de dizer: se Santo Agostinho, com uma determinada ciência natural de sua época, tinha certeza – assim como São Tomás de Aquino depois, com Aristóteles – de que a animação se produz só depois de um determinado período de tempo, e antes não existe um ser dotado de alma, não há indivíduo humano, isso não põe em dúvida o princípio de que nenhum homem, por mais fraco e indefeso que esteja, e mais ainda carente de uso de razão, pode ser morto. O problema empírico é: quando começa o ser humano. Para Agostinho, e espero que para todos nós, é absolutamente certo que se alguém é homem, é intocável. Depois vem a outra questão, que é: a partir de que momento se um é homem. O fato de que a ciência aristotélica – que considera que se pode falar de alma a partir de três ou seis meses – não é correta, hoje todos nós sabemos. E segundo meus conhecimentos de biologia, na realidade esse ser leva consigo, desde o primeiro momento, um programa completo do ser humano, que mais tarde se desenvolve. Mas o programa está já lá, e por isso se pode falar de um indivíduo. E nós dissemos….nós não podemos dogmatizar um resultado das ciências naturais, e por isso dissemos que naturalmente esperamos pesquisas ulteriores; não queremos dogmatizar tudo aquilo que na atualidade parece ser a posição mais convincente, mais documentada. Mas dissemos: mesmo que essas posições não fossem corretas, pelo menos existe uma hipótese fundamentada, uma probabilidade fundamentada, ou, pelo menos, uma possibilidade de que poderia se tratar já de um ser humano. E essa probabilidade, que não certeza e sim probabilidade, já não nos permite matar esse ser, porque, provavelmente pelo menos, é um ser humano. Essa é a nossa lógica sobre esta questão. [...] Também é verdade que, digamos, a atenção à defesa da vida humana, hoje, é maior que no passado e, nesse sentido, também há uma característica específica de nosso século, no qual vivemos, aliás, também uma crueldade e um desprezo pelo ser humano que deveriam nos fazer despertar.”
Meu comentário pessoal ; uma defesa perfeita e destaco (desde o primeiro momento, um programa completo do ser humano, que mais tarde se desenvolve. Mas o programa está já lá, e por isso se pode falar de um indivíduo;
uma probabilidade fundamentada, ou, pelo menos, uma possibilidade de que poderia se tratar já de um ser humano. E essa probabilidade, que não certeza e sim probabilidade, já não nos permite matar esse ser, porque, provavelmente pelo menos, é um ser humano. Essa é a nossa lógica sobre esta questão)













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